Lilacs out of the dead land, mixing
Memory and desire, stirring
Dull roots with spring rain.
Winter kept us warm, covering
Earth in forgetful snow, feeding
A little life with dried tubers.” T.S. Eliot
“Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico. É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.” C. Drummond
“That corpse you planted last year in your garden, has it begun to sprout? Will it bloom this year?” T. S. Eliot
Em um mundo cujo imperativo é sorrir, estar triste é ver uma flor desabrochar no asfalto.
Bendito o dia em que acordamos sem vontade de acordar, bendito o dia que é como uma noite, benditas cortinas fechadas: é a vida reprimida escapando, grunhindo, protestando.
A tristeza é uma frágil histérica vienense, é preciso protegê-la, preservá-la, escutá-la- ainda que com as mãos. É urgente, sobretudo, deixá-la falar e ensiná-la a cantar. É preciso dar à luz a uma tristeza bailarina.
Não sejam tolos, não se culpem, joguem pela janela vosso obscurantismo new age, o yoga, a fluoxetina, o comercial de margarina, as correntes virtuais do facebook, toda essa baboseira americana bem-intencionada, latido ideológico, lixo publicitário a contaminar mesmo os que insistem em se crer filhos de 68, moderninhos alegrinhos.
O trânsito às seis da tarde, as buzinas engarrafadas e o sorriso de botox. “Chegue digno, exausto, cansado: stress é puro glamour. Mas não fume nem abra o uísque, lembre-se do fígado e das crianças. Não seja um looser a beber sozinho, saia com seu cartão de crédito. Em casos extremos compre um Wii, mas não fique quieto, movimente-se, faz bem para a saúde e para o mercado.”
A tristeza é a grande flagelada deste início de milênio e os reprimidos devem estar com a razão, senão, porque não tagarelariam? Se as histéricas balbuciaram os primeiros murmúrios da revolução feminista, que segredos nos contará esta donzela triste quando a ensinarmos a gargalhar?
Por isso vos conclamo: sejam as primeiras gotas de chuva e mandem às favas o sorriso do outdoor. O solo foi encoberto por néon, pneus e capas de revista, será preciso uma tempestade de gotas pesadas –todo um mar morto- para varrer esse excremento industrial.
Chorem, irmãos meus, sejam os primeiros a desabrochar neste longo e obtuso inverno. Bem sei, nascer é doloroso e “abril é o mais cruel dos meses”, sobretudo quando para tal é preciso furar e atravessar um estúpido deserto.
Mas vês este pinheiro que se ergue na noite estrelada? Não que possas alcançá-lo, mas todo passo conquistado será fruto da obstinação com que te erguerás sobre teu próprio eixo. Por isso, se te mandam ser feliz, não te entortes, chore. E se te mandam chorar, gargalhe. Fuja da cidadela e se erga às estrelas.
Cairás, mas terás visto o céu.
'Fuja da cidadela e se erga às estrelas.'
ResponderExcluirAlém de Gogh, isto é Chagall.
Estás bem acompanhado.
:)
companhia de homens submersos, né?
ResponderExcluir- mas essa euforia de atravessar muros ancestrais, de bisbilhotar quintais interditados: esta alegria adolescente e travessa de coração batendo eterno e abismado: não terá valido tudo?
Poderia dar mais que isto, a vida? mais que seu próprio desvelar-se? não é isto dar-se inteira em sua própria plenitude? -
E engraçado isso do Chagall...faz todo sentido! Um Chagall onírico...um sol rosa, um sorriso...a realização de um desejo!...
..mas também desloca todo o sentido, porque Chagall é sonho, enquanto este Van Gogh é uma noite de revelações insones: transfigurada, real e sombria, mas de grandes promessas também!
É bonito que pareça Chagall, de todo modo. :)
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