Quem não andou em promiscuidade com seus fantasmas e abismos está condenado a viver em sonho coletivo; capturado pelo cotidiano jamais pressintirá a estranheza da vida, pois o Absurdo é a faísca do atrito entre a alteridade de dois mundos: apenas se afogando nas próprias correntezas se poderá olhar para os outros com espanto, admirando-se de existir e de permanecer existindo, no entretempo de duas noites. É preciso se deixar levar... é preciso que a mão próxima sirva de carinho, afago para a pele...que passa: nunca de galho a que se agarre.
É preciso ser Ofélia: se ofelizar.
livre-adaptado de Manoel de Barros
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