sábado, 1 de setembro de 2012

Tateando

À Tatiane

A verdade é que te queria
sem acordar os
passarinhos,
ou escandalizar
e perturbar
os seus vizinhos.

"A melhor noite do mundo",
"a mais inesquecível",
dentre tantas  coisas,
deixo para as outras,
para as tantas outras.

Queria era decorar o cheiro
dos seios,
dos fios
de cabelo,
da palma
das mãos.

Queria era descobrir texturas
- as menos privilegiadas -
que permanecem esquecidas
por detrás do cabelo,
entre as curvas
ao fundo do umbigo
e ao lado do sexo,
quando ninguém olha
para o ao lado
diante do sexo.

Pediria paciência
para essa inspeção
de menino -  tão
curioso - diante
de ouro - tão
branco  e suave -
em que cada moeda
é tão valiosa
como outra
qualquer.

Muito foi a espera
para essa mão tão tímida
tatear, tão cega,
esse mistério
de um corpo
que abriga
tatiante mulher.

Como explicar a relação
dessa carne alva
morna e macia
com estes sorrisos
que alegram a alma
e dizem carinhos
que florescem os dias?

Como explicar os poemas
que saem dos lábios
de carne vermelha
cujo som provém
deste pescoço
que atrai
suspiros
e cheiros
que o corpo arrepia?

Como dedilhar
matéria tão
física que faz ressoar
na alma, escondida,
canções, melodias
como as trago também
por detras dos dedos?

Como entender
o suspiro
que vem
confirmar
a nota escondida
deste instrumento
que é a um só tempo
matéria,  amor, melodia,
canção, companhia?


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