segunda-feira, 3 de setembro de 2012



"Dizemos que o céu é azul. Mas o que é o céu, para além do azul? À noite quando olhamos para o alto, não vemos o céu, o que vemos é o universo- imenso..." (pequeno momento poético em uma aula sobre Kant)


 "(...)
Mas ¿qué mucho que yo perdido ande
 por un engaño tal, pues que sabemos 
que nos engaña así Naturaleza? 

 Porque ese cielo azul que todos vemos, 
ni es cielo ni es azul. ¡Lástima grande 
que no sea verdad tanta belleza!"

(Leonardo de Argensola)

sábado, 1 de setembro de 2012

Tateando

À Tatiane

A verdade é que te queria
sem acordar os
passarinhos,
ou escandalizar
e perturbar
os seus vizinhos.

"A melhor noite do mundo",
"a mais inesquecível",
dentre tantas  coisas,
deixo para as outras,
para as tantas outras.

Queria era decorar o cheiro
dos seios,
dos fios
de cabelo,
da palma
das mãos.

Queria era descobrir texturas
- as menos privilegiadas -
que permanecem esquecidas
por detrás do cabelo,
entre as curvas
ao fundo do umbigo
e ao lado do sexo,
quando ninguém olha
para o ao lado
diante do sexo.

Pediria paciência
para essa inspeção
de menino -  tão
curioso - diante
de ouro - tão
branco  e suave -
em que cada moeda
é tão valiosa
como outra
qualquer.

Muito foi a espera
para essa mão tão tímida
tatear, tão cega,
esse mistério
de um corpo
que abriga
tatiante mulher.

Como explicar a relação
dessa carne alva
morna e macia
com estes sorrisos
que alegram a alma
e dizem carinhos
que florescem os dias?

Como explicar os poemas
que saem dos lábios
de carne vermelha
cujo som provém
deste pescoço
que atrai
suspiros
e cheiros
que o corpo arrepia?

Como dedilhar
matéria tão
física que faz ressoar
na alma, escondida,
canções, melodias
como as trago também
por detras dos dedos?

Como entender
o suspiro
que vem
confirmar
a nota escondida
deste instrumento
que é a um só tempo
matéria,  amor, melodia,
canção, companhia?