
Há quem diga que sessões de psicanálise são cansativas e desgastantes.
Quanto a mim, o que me cansa é a vida. A farsa de todo o dia, este outro dentro de mim.
Exaspero-me com minha própria fala em um contínuo e obsessivo estranhamento. Palavras autônomas e automatizadas que não apenas me soam estranhas, mas também torpes, frívolas, pretensiosas e decadentes. Agasta-me que me identifiquem com elas; desespera-me que eu mesmo o faça.
Basta que haja fala para haver ressaca moral. Se bebo, falo mais e a ressaca é maior.
Queria era tirar esta roupa imaginária de rei, roupa invisível que a nada esconde.
O que seríamos para além das palavras? O rei está nu- mas que é o rei?
