domingo, 18 de outubro de 2009

A Pantera - Rilke



A PANTERA
Rainer Maria Rilke
(Trad. Augusto de Campos)


De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.

A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.

De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.

Rothko. Azul.

Olhando nuvens pela janela do avião comecei a pensar em Rothko. Resolvi registrar o momento.




domingo, 9 de agosto de 2009





Hoje fui sozinho ao parque e fiz amizade com uma árvore (essa da foto, super linda). Seu tronco era incrivelmente anatômico, parece que até um suave encosto para cabeça ele tinha. E como não havia folhas em seus galhos, deixou o sol atravessá-la inteiro para mim, o que é ótimo no frio outonal de 10ºC que fazia. Quando a primavera voltar suas folhas crescerão e me dará sombra. Uma boa amiga esta que em troca nada pede.
Voltarei sempre, quer para ler, quer para fotografá-la em outras estações, ou mesmo para fugir da solidão.

É como dizia Rilke:
"Resta-nos talvez
uma árvore na encosta que possamos rever
diariamente; resta-nos a rua de ontem
e a fidelidade continuada de um hábito,
que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu."


Curioso que quando escolhi Curitiba para morar o fiz pensando na natureza ao redor, e tenho percebido que não a usufruo tanto como gostaria e deveria. Espero que isto seja devidamente corrigido neste ano de 2009, e minha amiga árvore há de auxiliar-me nesta missão.